Por: Litoral Sul | 11/09/2019

Para Alexandre Pellaes, pesquisador e especialista em modelos flexíveis de gestão, o significado do trabalho e o papel da produção individual na vida das pessoas, o trabalho como o conhecemos está fadado a acabar. E é preciso entender essas transformações pelas quais as organizações passam para conseguir estabelecer uma carreira profissional de sucesso.

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“O trabalho na estrutura de emprego, no formato comercial, contratual, deve acabar ou pelo menos reduzir muito, porque a premissa principal do modelo que temos hoje é de entrega de horas, de esforço de trabalho, ao invés da entrega de valor. Essa é uma grande mudança que enxergamos hoje. As organizações entendem que, muito mais importante que a presença é a qualidade da entrega e o valor de seus colaboradores”, avalia.

Segundo ele, as pessoas querem trabalhar com mais autonomia, apesar de terem sido criadas numa cultura de “heteronomia”. “A gente sempre esperou comandos, tanto dos nossos pais quanto de nossos professores e patrões. Agora estamos redesenhando essa estrutura, porque o mundo se tornou muito complexo e é impossível que poucas pessoas possam guiar a aprendizagem. Todos nós temos algo para ensinar uns para os outros”, considera.

Com esse comportamento da mão de obras, as empresas começam a adotar estruturas mais flexíveis, a ajudar o desenvolvimento da liderança. “Para sair do modelo da liderança interessante, onde todo o desenvolvimento estava focado na pessoa, para a liderança interessada, onde se desloca o foco, para que se desenvolvam as relações e possamos criar novos vínculos de mais confiança”, explica.

Vida profissional

Para quem já está ou vai entrar no mercado de trabalho, o pesquisador diz que o primeiro passo a ser dado é compreender o novo significado de carreira. “Não é mais algo ligado ao status organizacional, a qual cadeira você ocupa dentro de uma empresa, a qual cargo você tem. Compreender que a carreira é uma sequência de histórias e de relacionamentos produtivos é a primeira mudança”, afirma.

“Nós somos muito mais complexos, muito mais ricos do que um cargo. Somos iguais a um canivete suíço: eu não posso te contratar só para usar uma aba. Preciso deixar que você abra outras abas do seu canivete, para que possa entregar valor dentro das organizações”, acrescenta.

Pellaes comenta que existem competências que devem ser desenvolvidas para navegar nesse mundo novo do trabalho e elas estão ligadas ao protagonismo, ao autogerenciamento, à capacidade de ter disciplina e buscar o aprendizado continuamente, mesmo que não haja alguém pressionando para isso.

“É algo novo, porque sempre aprendemos a responder de uma forma passiva aos estímulos externos e agora a gente precisa reconhecer os estímulos. O mundo em que fomos criados era uma rede em que a gente sentava e ficava vendo as coisas acontecerem. O mundo que a gente vive hoje é uma esteira: se você parar de caminhar, vai ser derrubado”, compara.

Aspecto humano

Alexandre Pellaes é um dos palestrantes convidados da quarta edição da Expomais, que ocorre nos dias 25 e 26 de setembro na Associação Empresarial de Criciúma (Acic). Ao abordar o tema “Futuro do Trabalho”, ele vai ressaltar o aspecto humano.

“É o que faz realmente diferença. A inovação não é mais tarefa de uma área. Começa a se tornar algo natural no nosso dia a dia. Quando a gente leva a intenção para o nosso trabalho. Quando se tem o olhar naquilo que está fazendo e não apenas cumprindo uma tarefa. Quando se está fazendo para deixar sua marca, para resolver um problema e para ter um impacto sobre as outras pessoas”, entende.