Por: Litoral Sul | 10/09/2019

Usar sutiã é um hábito que surge para as adolescentes de maneira quase automática. Para muitas mulheres, porém, o melhor momento do dia é chegar em casa e tirar o sutiã. Outras, no entanto, não se sentem confortáveis em não usar a peça. Conforme entrevista feita pela GaúchaZH, na Coreia do Sul, algumas aderiram a um movimento que está sendo conhecido como “No Bra” (“Sem sutiã”, em português). Muitas estão postando fotos nas redes sociais sem sutiã por baixo da blusa, usando a hashtag e espalhando a mensagem.

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A tendência começou com a cantora e atriz sul-coreana Sulli, que tem mais de 5 milhões de seguidores em sua conta pessoal no Instagram e é um dos principais nomes do k-pop. Com ela, a iniciativa ganhou repercussão internacional. Sulli tornou-se uma referência no país ao propagar a ideia de que usar ou não sutiã deve ser uma questão de liberdade individual. A cantora tem recebido apoio, mas também muitas críticas, é claro. Em um programa de variedades Night of Hate Comments da JTBC em 21 de julho, ela abordou oficialmente a questão pela primeira vez, dizendo simplesmente:

“Ficar sem sutiã é a nossa liberdade”. Para ela, as mulheres deveriam poder decidir se querem ou não usar, sem que isso seja considerado ofensivo: “Para mim, um sutiã é como um acessório. Algumas roupas combinam e outras não. É por isso que às vezes não uso sutiã”, disse Sulli.

Mais recentemente, outra cantora famosa no país, Hwasa, colocou o movimento #NoBra de volta aos holofotes. Ela foi vista passeando sem sutiã no aeroporto quando voltou pra casa após um show em Hong Kong em 7 de julho. O visual gerou polêmica na internet – alguns usuários questionaram se ficar sem sutiã é mesmo um ato liberdade ou se “pode ser provocativo ou perturbador” para outras pessoas, especialmente para os homens.

Na imprensa local, embora as opiniões sejam diversas, uma coisa foi comprovada: mamilos femininos permanecem tabus. A filósofa feminista Yun-Kim Ji-young disse ao jornal local Korea Herald que o movimento  #NoBra pode ser entendido como parte da crescente resistência das mulheres sul-coreanas contra as restrições da sociedade impostas a elas. Ela apontou para um movimento contra os padrões de beleza chamado “Escape the Corset” (Liberte-se do espartilho”, em tradução livre), que decolou em 2016, como um exemplo dessa resistência.