Por: Litoral Sul | 02/04/2018

Natural de Agrolândia, município do Vale do Itajaí com população próxima dos 10 mil habitantes, Aldo Schneider é formado em Gestão Empresarial. Ingressou em 1980 na Secretaria de Estado da Fazenda como analista da Receita Estadual. Assumiu a Coletoria Estadual de Vitor Meireles e filiou-se ao PMDB em 1987. No ano seguinte, já foi eleito vereador por Ibirama, defendendo a emancipação do então distrito de Vitor Meireles, o que aconteceu em 1989. No mesmo ano foi eleito como primeiro prefeito da nova cidade, tomando posse em 1990. Depois de mais duas eleições como prefeito, renunciou ao cargo, a pedido do então governador Luiz Henrique da Silveira, e assumiu a recém-criada Secretaria de Desenvolvimento Regional, SDR de Ibirama. Foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 2010, com 36,4 mil votos, e reeleito em 2014, com um salto para 58,6 mil votos. Agora, na condição de presidente da Assembleia Legislativa, prepara-se para mais uma campanha em busca da reeleição como deputado.

Nessa entrevista exclusiva para a Coluna Pelo Estado, ele falou sobre o trabalho à frente do Legislativo estadual, de seus planos e do que prevê para o MDB nas próximas eleições.

 

[PeloEstado] – Como avalia esse período de quase dois meses na presidência da Assembleia?

Aldo Schneider – Eu não poderia falar aqui em “segundo mês”, mas em 14º mês, uma vez que eu e o deputado Silvio Dreveck (PP, ex-presidente da Casa e atual primeiro vice-presidente) estamos administrando a presidência da Assembleia a quatro mãos. Tudo aquilo o que nós planejamos ao longo do tempo está acontecendo, gradativamente. Nesse sentido, eu poderia citar a aquisição do novo prédio para o Legislativo estadual. Já começamos a pagar mensalmente o saldo que restou, que será concluído até janeiro de 2019. Além disso, já autorizei a aquisição de todo o material elétrico, rede lógica e de informática, persianas, para que até o final de abril possamos colocar os nossos servidores naquela casa, para que possam prestar um serviço melhor à sociedade catarinense.

 

[PE] – Uma vez que a gestão é a quatro mãos, o senhor mantém os esforços para a redução de custos?

Aldo Schneider – A determinação é não comprar nada sem a autorização do presidente. No dia a dia da Casa eu distribuo a tarefa de cuidar desse controle ao chefe do meu gabinete, ao diretor geral e ao procurador geral. Nós temos as despesas diárias, que não podem ser interrompidas. Mas, afora isso, não estamos autorizando absolutamente nada! Até porque não sabemos quanto vai ser gasto para dotar o prédio novo com o que é necessário para o trabalho. Mas não é só. Eu tenho um compromisso com a sociedade catarinense, que é devolver uma parte dos recursos da Assembleia para o Fundo de Saúde Estadual.

 

[PE] – O senhor é um deputado, e agora presidente, com origem no interior do estado. De que forma trata os representantes dos municípios que o procuram?

Aldo Schneider – Temos o verdadeiro conhecimento interiorano. Quando os prefeitos chegam com seus pleitos, nós sabemos o que é prioritário ou não. Mas, de qualquer forma, independentemente dos pleitos apresentados, nós, os 40 deputados, ainda não temos uma sinalização clara de com quanto vamos poder auxiliar cada município, cada entidade. Porque o governo ainda não sinalizou quanto cada deputado terá para atender a sua base.

 

[PE] – O calendário especial para as eleições já foi definido? Haverá alguma mudança no Legislativo?

Aldo Schneider – As mudanças são aquelas necessárias para compensar os dias que os parlamentares estarão em campanha. Nós temos uma proposta de calendário especial que encaminhamos para os líderes das bancadas. Estamos aguardando o posicionamento de cada um. Com a resposta dos líderes, vamos adotar esse calendário especial o mais rapidamente possível, a fim de que quando chegarmos ao dia 7 de outubro, data do primeiro turno das eleições, já tenhamos cumprido as obrigações legislativas do ano. As eleições não atrapalham em absolutamente nada. O que nós vamos fazer é antecipar as sessões legislativas da Casa.

 

[PE] – Em relação ao trabalho legislativo, como o senhor tem conduzido a votação dos vetos e medidas provisórias?

Aldo Schneider – Tenho conversado sempre com os líderes e com a Mesa Diretora. Agora está definido, para os dias 3 e 4 de abril. E, enquanto não votarmos todos os vetos e medidas provisórias que podem trancar a pauta, não vamos parar. Acredito que até meados de maio nós teremos concluído esse trabalho.

 

[PE] – Falando agora em política, quais os seus planos para as próximas eleições?

Aldo Schneider – Sou pré-candidato à reeleição como deputado estadual. Mas estou presidente e o foco é conduzir com rigor o controle de gastos da Assembleia. Todo centavo público que nós economizamos vai fazer um bem enorme para aquele que está precisando de um atendimento na saúde, ou um investimento na área da agricultura. Como presidente, não vou arredar o pé da economicidade da Assembleia. E, como pré-candidato, vamos fazer aquilo que todo deputado faz. Primeiro, as tarefas da Casa. Segundo, política.

 

[PE] – O senhor tem uma parceria com o deputado federal Rogério Peninha Mendonça. Continua?

Aldo Schneider – Sem dúvida. O deputado Peninha é um parceiro e nós estamos há mais de 10 anos trabalhando juntos. É uma parceria que deu certo, se consolidou. Quem ganha é a comunidade. Tudo o que nós fazemos, temos a potencialidade de dois deputados que estão trabalhando juntos pelo Vale do Itajaí e por Santa Catarina.

 

[PE] – Como o senhor avalia o contexto atual do MDB?

Aldo Schneider – Eu avalio que nós temos praticamente definido o nosso pré-candidato, que é o deputado federal Mauro Mariani. Mas isso foi há alguns meses. E, obviamente, por fazer tanto tempo que se tomou essa decisão, e tendo ainda um prazo tão longo até 5 de agosto, data final para as convenções partidárias, essa decisão pode mudar. Vejo que, de fato, o quadro continua aberto dentro do MDB. Mesmo com o anúncio de Mariani como  nosso candidato ao governo, a gente vê o tanto que o Dr. Eduardo Moreira, como governador, tem feito por Santa Catarina, o que também o habilita a disputar a vaga de governador de Santa Catarina dentro do partido.

 

[PE] – Isso pode gerar cisões dentro do partido?

Aldo Schneider – O MDB é um partido muito grande. Sempre comparo o MDB com um grande elefante. Enquanto não tivermos alguma condição de instigar esse elefante a se mexer, o MDB vai ser um partido exatamente como todos os outros. Mas a hora que esse grande elefante começar a se mexer… Santa Catarina já viu por muitas vezes o quanto é fantástica a militância do MDB para fazer uma campanha eleitoral. Não tenho dúvida nenhuma: sendo candidato o deputado o Mauro Mariani, ou o governador Eduardo Moreira, ou o senador Dario Berger, o único trabalho que eles vão ter que fazer é acordar esse elefante para cair na estrada. E fazer com que esse elefante vá em busca de votos em favor do nosso candidato.

 

[PE] – Que papel tem a mídia regional nesse momento de definições políticas?

Aldo Schneider – Em muitas cidades, a única forma que nós temos de levar informação às comunidades é a pequena empresa de comunicação. O papel da imprensa local, da imprensa regional, é extraordinário. No caso específico desse espaço aqui, da Coluna Pelo Estado, em que o conteúdo de uma cobertura ou entrevista é multiplicado por tantos diários do interior catarinense, e agora também por tantos portais, é de grande importância para a sociedade e para a democracia.