Por: Litoral Sul | 16/07/2018

Paulo Odilon Xisto Filho, Oficial de Cartório de Registro de Imóveis de Imbituba, denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pelo crime de homicídio qualificado por feminicídio, foi preso preventivamente nesta segunda-feira.

Acusado de matar a namorada, Isadora Viana Costa, 22 anos, em maio desse ano, Paulo descumpriu as medidas cautelares fixadas pela Justiça, o que levou a Autoridade Policial a requerer a prisão preventiva do réu. Com manifestação favorável da 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Imbituba, o pedido foi deferido pelo Poder Judiciário.

De acordo com o Promotor de Justiça Victor Abras Siqueira, diligências autorizadas judicialmente demonstraram que, apesar de proibido por medida cautelar, o réu continuava fazendo uso de bebidas alcoólicas: no cumprimento de mandado de busca e apreensão no local onde estava alojado, foram encontradas quatro garrafas de vinho vazias, uma pela metade e uma cheia, taças com resquício de vinho e duas garrafas long neck de cerveja, uma vazia e uma cheia.

Além disso, conforme apurou a Autoridade Policial, Paulo estaria proferindo ameaças ao delegado que conduziu o inquérito pela morte de Isadora em grupo de whatsapp. A decretação da prisão preventiva do acusado é medida que se impõe, pois, a manutenção da sua liberdade põe em risco a ordem pública e o andamento da instrução criminal, considerou o Juízo da 2ª vara da Comarca de Imbituba ao analisar o pedido.

Na ação penal, o Ministério Público demonstrou que Paulo Odilon cometeu feminicídio contra a namorada e, ainda, que o crime foi qualificado por motivo fútil e por usar recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além de cometer fraude processual, ao modificar a cena do crime a fim de induzir o perito a erro.

Entenda o caso

Paulo conheceu Isadora em Santa Maria (RS) em março deste ano e naquele mês começaram a namorar. No dia 22 de abril, a jovem que era modelo, aceitou o convite para passar uns dias no apartamento dele, em Imbituba. A acusação afirma que depois que Isadora passou a conviver com o namorado, ela disse a amigas que Paulo ficava agressivo e descontrolado quando estava sob efeito de drogas.

A investigação da Polícia Civil apontou que na noite do crime, o oficial de cartório passou mal, espumando pela boca, e a namorada chamou a família dele. Ele não teria gostado da atitude porque os familiares não sabiam que ele usava drogas, informou o delegado Raphael Rampinelli. A porta foi arrombada. Após constatar que Paulo Odilon estava bem, a irmã e o noivo foram embora. Assim que saíram, o oficial de cartório teve uma explosão de fúria.

O oficial de cartório surpreendeu Isadora e a imobilizou lhe desferindo diversos golpes no abdômen. “O médico legista concluiu que as lesões traumáticas encontradas no abdômen da vítima, como laceração de vasos abdominais e laceração hepática, foram decorrentes de ação mecânica de alto impacto contra o abdômen e provavelmente repetitiva, compatíveis com múltiplos chutes, joelhadas e socos”, escreveu a Promotora de Justiça na ação.

Após matar a namorada, Paulo Odilon solicitou atendimento ao Corpo de Bombeiros. “Ao invés de acompanhar a vítima, que não tinha nenhum familiar ou amigo na cidade, até o hospital, o denunciado Paulo Odilon permaneceu em sua residência, a fim de ocultar provas, dificultando o trabalho de investigação”, sustenta a Promotora de Justiça Sandra Goulart Giesta da Silva.

Cena do crime modificada

O oficial de cartório foi para o hospital após modificar a cena do crime. Lá encontrou uma amiga e a entregou a chave do apartamento para que ela tirasse o lençol sujo. A denunciada não se limitou a levar somente o lençol, levou também outros objetos, inclusive, segundo a Promotora de Justiça, garrafas de bebida alcoólica.

Diante das evidências que a morte da vítima se tratava de um homicídio, a Delegacia de Polícia requereu a expedição de mandado de busca e apreensão na residência do denunciado. No dia 14 de maio de 2018, foram apreendidos um prato e três canudos de plástico com vestígios de cocaína, bem como duas toalhas, duas camisetas e quatro pedaços de panos com vestígios de sangue, dois deles já estavam lavados e dois ainda estavam de molho em um balde com água.

Além disso, foram apreendidos uma espingarda, marca Boito, número G06045310, calibre .12, bem como 80 munições calibre .12, 66 munições calibre .380. Uma pistola Glock, número NKY614, calibre .380 foi entregue posteriormente à polícia. As armas estavam com os registros vencidos. Também foram apreendidos uma mira à laser para uso em arma de fogo, fabricada na Argentina por Láser Car TRL, modelo Cat Glock Series, acessório de uso restrito1, que Paulo Odilon possuía, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar.

Na madrugada da morte, a modelo deveria ter pego um ônibus em Tubarão para voltar a Santa Maria.